sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Crónicas 10 minutos - Viver o passado para construir o futuro!

Imagem retirada AQUI



D. Henrique, o Cardeal-Rei 



A 31 de Janeiro de 1512 nascia D. Henrique (comemora-se agora o 5º Centenário), filho de D. Manuel I e de D. Maria de Castelo, no mesmo dia, 68 anos depois, morria, em Almeirim. Durante o seu curto reinado, procurou resolver a sucessão, mas sem grande sucesso, entrando para a História de Portugal, como o Rei que adiou, por pouco tempo, a junção das Coroas ibéricas. 


D. Henrique entrou cedo para a vida religiosa, no intuito de promover os interesses portugueses na Igreja Católica. D. Henrique foi feito Arcebispo de Braga, depois Arcebispo de Évora e, por fim, Arcebispo de Lisboa, contudo o seu principal cargo foi o de primeiro Inquisidor Geral do Reino. Em 1546, foi feito Cardeal, tendo participado em vários Conclaves, tendo sido, em 1555, um dos papabili (um dos favoritos para ser o novo Papa). D. Henrique foi responsável pela vinda da ordem dos Jesuítas para Portugal, tendo utilizado os seus serviços no Império Colonial. 

Quando D. João III morreu em 1557, o neto e sucessor, D. Sebastião, tinha apenas 3 anos, por isso, a rainha D. Catarina, esposa do recém-falecido, foi escolhida como Regente. D. Catarina era tia de Filipe II, o que causava algum mal-estar junto de vários Nobres, que preferiam D. Henrique, irmão de D. João III, portanto tio-avô de D. Sebastião, pois não viam com bons olhos a interferência espanhola em assuntos nacionais. 

Em 1562, D. Henrique tornou-se Regente de Portugal, afastando a cunhada e ganhando a antipatia de Filipe II, que também era seu sobrinho. Durante a sua regência, destacou-se a política económica e administrativa, procurando melhorar o real funcionamento do Império Português. 

D. Sebastião, em 1568, atingiu a maioridade e tornou-se Rei de Portugal, de facto. O Cardeal voltou aos seus afazeres religiosos e apenas 10 anos depois, após a desastrosa batalha de Alcácer-Quibir, D. Henrique viu a sua vida mudar radicalmente, era o “novo” Rei de Portugal. Sem herdeiros, nem esperança de os ter, D. Henrique viveu os últimos anos da sua vida numa inquietação constante. 

Em 1578, quando se tornou Rei, o Cardeal D. Henrique teve como primeira medida a de resolver o resgate dos muitos cativos de Alcácer-Quibir. A situação não era a melhor e a idade não ajudava o Cardeal. Com a pressão nacional e internacional, D. Henrique renunciou ao seu cargo religioso e pediu dispensa dos seus votos, queria casar ainda. Contudo, o Papa Gregório XIII, próximo de Filipe II, não o libertou dos votos. Era do interesse espanhol unir as Coroas ibéricas. A política de casamentos entre os Reis ibéricos era uma forma de tentarem unir os vários tronos sob a égide de um só monarca. Portugal pretendia juntar também os vários reinos, mas sob a sua Coroa, mas acabou preso na sua própria teia, sendo “unido” a Espanha. 

Durante os meses seguintes, o Rei procurou resolver o problema da sucessão. Havia três principais herdeiros, D. Catarina de Bragança, Filipe II de Espanha e D. António, Prior do Crato. O Cardeal D. Henrique recusou nomear D. António como sucessor, pois a relação de ambos não era a melhor. Foram organizadas as Cortes de Almeirim para encontrar o herdeiro para o trono português, mas D. Henrique morreu, no dia que comemoraria 68 anos, a 31 de Janeiro de 1580, durante as Cortes, sem ter encontrado solução para o problema, apesar de ter nomeado uma Junta de Cinco Governadores para a Regência, formada pelo Arcebispo de Lisboa (D. Jorge de Almeida), D. João Telo, D. Francisco de Sá Meneses, D. Diogo Lopes de Sousa e D. João de Mascarenhas. 

O Cardeal D. Henrique não conseguiu resolver o problema sucessório nacional. O seu curto reinado foi marcado por uma angústia da perda de independência de Portugal, o que acabou acontecer. D. Henrique, sem nunca se decidir, abriu uma nova página da História nacional, a União Ibérica. A imagem do indeciso, próximo dos espanhóis, acabou por ganhar força, apesar de saber-se, actualmente, que a relação de ambos não era muito boa. 

Hoje em dia, vemos vários governantes a imiscuírem-se das suas responsabilidades, não assumindo as suas políticas, escondendo-se atrás da Troika e da crise. Outros, procurando afirmar-se, esquecem-se dos seus concidadãos, não estando preocupados com o seu povo, nem com os seus problemas. 

Os protagonistas de hoje são outros, mas a falta de orientação política, convicção decisória e cidadania, são as mesmas, após os 500 anos do nascimento de D. Henrique. Portugal não aprendeu nada durante o percurso histórico. 

Gostava de reiterar - é preciso viver o passado para construir o futuro! 
Francisco Miguel Nogueira 

P.S. Esta crónica estará em destaque aqui blogue para dar oportunidade de todos os visitantes de darem a sua opinião sobre a mesma. A sua opinião é importante, PARTICIPE! 

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14 comentários:

  1. Avida do Cardeal – Rei D. Henrique, como nos conta o “Mestre” - Francisco Miguel Nogueira, foi cheia de imprecisões e acabou por dar largas á União Ibérica. É também Importante analisar D. Henrique na sua vertente católica, onde sobressai a permanente ligação á Igreja Católica, que acabou por prejudicar Portugal, os corredores do poder católico, estavam ligados a Espanha e partilhavam um seguidismo doentio.
    Quinhentos anos depois assiste-se a uma certa indecisão política e ao servilismo em relação ao eixo europeu imposto pela Alemanha, provavelmente estamos a caminho de um novo Reich. A diplomacia portuguesa existe ou fica-se pela tradição, navegando em mares de indecisão com o Cardeal – Rei D. Henrique?
    Bom Trabalho – “Mestre - Capitão”. Hoje por aqui me fico.
    Abraço Solidário e bom –fim de semana.
    ml – 27 jan.

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  2. Sem dúvida que a vertente católica da política portuguesa era mto forte...nao podemos esquecer que D. Henrique foi o 1º Inquisidor Geral do Reino...
    Infelizmente a nossa diplomacia anda em mares de indecisão...nao há uma politica coesa nem una...nao se fala nem se luta a uma só voz...e depois nada se faz para nao chatear os "Grandes" da Europa..precisamos de dinamismos...acção...poder decisório...

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  3. Intresses de maia duzia de fidalgos impuseram o afastamento de todos os pretendentes, e depois politicas, onde se n~ºao deve esquecer a "velha aliada" Inglaterra que sempre nos atraiçoou quando era de seu interesse. A França que teve uma reviravolta politica e que deixou de apoiar António, tudo afundou Portugal.

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  4. Como sempre excelente trabalho. E ainda há quem diga que não gosta de História...
    Volvidos 500 anos, será que o Passos é o Cardeal que nos vai deixar cair nas maõs dos espanhóis...?
    Será que nesta altura do campeonato ainda é bom ser PORTUGUÊS? Eu ainda tenho orgulho de ser portuguesa, mas confesso que o Passos (para mim) é a vergonha de ser português

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  5. Ana Cristina Parreira27 de janeiro de 2012 às 16:36

    A história parece que se repete.

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  6. Trabalho excelente de pesquisa e fundamento histórico. O Mestre Francisco Miguel Nogueira, traz-nos uma biografia sintética e clara da vida de um Monarca português.
    A sua escrita histórica, aliada a um tom crítico da actualidade, dão as bases para uma escrita muito necessária nos dias de hoje.
    Precisamos de jovens empenhados nos problemas da sociedade.
    O Mestre está de parabéns. Espero que continue neste registo, a sua escrita elucida-nos.

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  7. Concordo, contigo "escondem-se atrás da Troika, e manipulam o contexto de crise para imporem as suas políticas desumanas. Esquecem e violam os direitos dos seus concidadãos, não estão de facto, preocupados com quem os elegeu e nem defendem os interesses de quem acreditou que saberiam de modo equilibrado e justo advogarem por um Portugal melhor!

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  8. Conseguiu fazer bem a passagem da História para a actualidade e parece que os políticos nao aprendem com os erros, não andam a "estudar" o passado

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    1. Nesta passagem da História, denota-se como o reinado de D. Henrique foi prejudicado com as imposições religiosas. Actualmente, embora menos vinculada, a religião continua a exercer o seu peso na vida dos cidadãos em âmbito económico-politico, tal como pesquisa a Antropologia Politica.
      E Sim, Francisco…”eles” escondem-se por detrás da Troika!

      Gostei :)

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  9. Espero que se olhe para o passado e que se aprenda com o nosso percurso, mas os governantes não querem olhar e aprender...as coisas têm de mudar!

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  10. E a perda de soberania progressiva, em q estamos a caír, esta é deveras perigosa,e deriva da pressão política externa e dos mercados internacionais, q nos manipulam, mas essencial/te põe a nu o desnorte e fraqueza politica a q chegámos... Portugal corre quase tanto ...risco de ficar refém da UE (entenda se Alemanha), como D. Henrique corria o risco de tornar Portugal dependente de Espanha... Como já concluímos os ciclos repetem se, tal como os erros... Irrita me tb solenemente, o fato de ainda tentarmos descolar a nossa realidade da grega, com discursos politicos tão pouco solidários p c outro país em dificuldades na UE... Claro q discordo total/te das politicas fiscais gregas ineficazes ou do enorme mercado paralelo q por lá domina as trocas comerciais...mas se o q faz sentir melhor estes politicos medíocres q nos governam, é estarmos só 1% menos mal q a Grécia, já é um belo retrato da mesquinhez de um país q quer ajuda e solidariedade da UE, mas q ñ apoia outro em dificuldades, e em vez de se apoiarem mutuamente, (pois pugnam ambos por ajuda e uma união no discurso poderia torná lo mais firme), distanciam-se, com este discurso ridículo de pseudo-superioridade de Portugal em relação à Grécia, como se esta fosse "persona non grata" ou uma "má companhia", preferindo dar se c aqueles q julga ricos e de quem pensa receber mais ajuda... É uma atitude asquerosa da parte do nosso poder político, q se esquece q essa "ajuda" tem um preço tão alto, q será ela a enforcar o país, q no final, será igual/te rejeitado e ser-lhe- à mostrado um caminho de saída tão humilhante como o grego... Aí ñ haverá remédio, nem ajuda dos "amigos" ou dos "rejeitados", será uma situação ainda mais ultrajante, ultrapassando até a dependencia total do exterior, pois a última fase será o isolamento internacional e abandono... Mas qual é a novidade no cenário actual, se desde os primórdios da nossa Nação, sempre dependemos do exterior p manter a independencia, a integridade territorial das ex colónias e a nossa economia?????????

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  11. Desconhecia por completo esta parte da História! Nota-se que a Igreja tinha uma grande influencia sobre os Reis e seu Povo.

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  12. Helena Cristina Fernandes31 de janeiro de 2013 às 10:36

    Muito interessante.

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