sábado, 3 de dezembro de 2011

Afinal o que é comunicar?

(imagem retirada da internet)


A origem da palavra comunicação veio do latim “communicatio” que o seu significa “está encarregado de” com o acréscimo do prefixo “co” e seu significado é reunião. Temos a ideia de uma “actividade realizada conjuntamente”, terminada e completada com tio, que reforça a ideia de actividade. 



Comunicação –comum +ação, onde significa “acção em comum”, se tenha em conta que o “algo em comum” refere-se a um mesmo objectivo da consciência e não as coisas que se diz materiais. 

Existe também o fato de comunicar, de estabelecer uma relação com alguém, uma transferência de informação para outrem o que sentimos. Existe também, a semiótica que diz que a comunicação é a transmissão de signos que se passa através de códigos que vão transmitindo entre expressões híbridas. A comunicação é uma actividade educativa que envolve troca de experiência entre pessoas de gerações diferentes, evitando-se assim que os grupos sociais retornem ao primitismo [http://pt.shvoong.com/humanities/235558-origem-da-comunica%C3%A7%C3%A3o-oral-escrita/]. 

Como se depreende da definição etimológica da palavra comunicação, existe uma dificuldade em tornar ou definir “Comunicação” com objectividade. Segundo o orador, em comunicação não existe objectividade. A imposição do sentido “comum” na comunicação, o facto de se estabelecer uma relação com alguém ou de haver uma transferência de informação para outrem torna a mensagem subjectiva consoante o receptor. Quer-se com isto dizer que cada pessoa tem uma visão diferente de um dado acontecimento. Apesar de se tratar do mesmo acontecimento, numa análise sistémica, é impossível ao ser humano observar o acontecimento como um todo, remetendo a visão de um indivíduo a uma parte do acontecimento, diferente de uma outra parte do acontecimento registado por outro indivíduo. 

Esta discrepância na avaliação do mesmo acontecimento está intimamente relacionada com o Mapa Mental (MM) de cada indivíduo. No MM estão registadas informações idóneas que identificam um determinado indivíduo. A educação, a vida afectiva, a profissão, o estilo de vida, os amigos, a sociedade, entre outras, são todas condicionantes do MM. Deste modo, o MM de cada indivíduo condiciona as suas expectativas em relação a realidade, o que faz com que o observador “a” veja o mesmo acontecimento de maneira diversa do observador “b”. 

Consideremos um caso particular em que a comunicação ocorre entre 2 indivíduos A e B. Ambos os elementos se tornam Emissores e Receptores de informação em simultâneo. Quando existe falha de comunicação, o principal problema do processo comunicativo é que o sujeito A não toma consciência que o B não observa os acontecimentos da mesma forma, gerando discussão. Com exemplo trivial consegue-se facilmente perceber: num jogo de futebol, um determinado observador afecto ao clube A afirma que não existe falta ao passo que o sujeito torcedor pelo clube B tem toda a certeza que a falta existiu. Mais uma vez, os dois adeptos têm as suas opiniões condicionadas pelos seus MMs. 

A subjectividade da comunicação está não só relacionada com as diferentes percepções que diferentes indivíduos têm do mesmo acontecimento, mas também com a percepção que o indivíduo tem de si próprio. O seguinte diagrama ajuda a compreender. 
Consideremos os Sujeitos X e Y, bem como um qualquer acontecimento. Numa primeira instância, importa referir que o Sujeito X apenas conhece de si próprio a zona marcada como X1; todo o resto do conteúdo do seu círculo é desconhecido e muitas vezes inventado pelo próprio sujeito. Depois temos o Sujeito Y que reconhece o sujeito X. Perante um acontecimento, os dois sujeitos percebem diferentes áreas do mesmo: o sujeito X reconhece a parte a verde ao passo que o sujeito Y apenas vê a parte em laranja. Estando os dois sujeitos em comunicação acerca do acontecimento, existe apenas uma parte comum que é visionada pelos 2 indivíduos e que está assinalada a preto, essa é a única parte concordante. Adicionalmente, em comunicação entram também as zonas que são percepcionadas por cada um dos sujeitos independentemente que tentam por em comum; é importante nesta fase que os sujeitos tomem como verdade aquilo que estão a transmitir reciprocamente, tendo em conta que parte dessa informação é desconhecida ou até inventada pelo próprio comunicador. 

Desta análise conclui-se que em comunicação existe uma grande dificuldade em conseguir objectividade. Além disso, é necessário ter em conta a opinião que um indivíduo tem em relação ao outro e em relação aos acontecimentos. Esta diversidade tem que ser respeitada para que a comunicação seja eficaz. 

Segundo o esquema de Comunicação apresentado por R. Jakobson, entre o emissor e o receptor existe um contexto, uma mensagem, um contacto ou um código. Para que a comunicação se processe efectivamente entre os dois elementos, deve a mensagem ser realmente recebida e descodificada pelo receptor. Isto só é possível se ambos, emissor e receptor, se encontrarem dentro do mesmo contexto, utilizarem o mesmo código e estabelecerem um efectivo contacto através de um canal de comunicação. Se qualquer um destes elementos ou factores falhar, ocorre uma situação de ruído na comunicação, entendido como todo o fenómeno que perturba de alguma forma a transmissão da mensagem e a sua perfeita recepção descodificada por parte do receptor. 

Existem duas formas de linguagem/comunicação a considerar: verbal e não-verbal. A comunicação verbal é objectiva e usada para dar informação; é assente em linguagem verbal e as dificuldades de comunicação ocorrem quando as palavras têm graus de abstracção e variedade de sentido. O significado das palavras não está nelas mesmas, mas sim nas pessoas (influenciadas pelo seu MM). Conquanto, as pessoas não se comunicam apenas por palavras. Os movimentos faciais e corporais, os gestos, os olhares, a entoação são também importantes; estes últimos fazem parte da linguagem não-verbal onde é assente a comunicação do mesmo tipo. Comunicação não-verbal é usada para transmitir sentimentos e emoções e estabelece a relação entre emissor e receptor. Por exemplo, quando um desconhecido nos pergunta as horas nós avaliamos, numa primeira instancia, quem está a comunicar connosco: se for um “bandido” rejeitamos a informação, se for uma “velhinha” a informação é dada prontamente. Deste modo, a comunicação não-verbal inclui a expressão facial, o movimento dos olhos, os movimentos da cabeça, a postura e os movimentos do corpo, os comportamentos não-verbais da voz (qualidade, velocidade e ritmo da voz) e a aparência. Tendo em conta que a linguagem verbal é plenamente deliberada e que a linguagem não verbal pode ser uma reacção involuntária, na interacção pessoal, estes dois elementos são importantes para que o processo que comunicação seja eficiente [http://www.salves.com.br/virtua/comverbn-verb.html]. 

Em jeito de conclusão, inclui-se o conceito Metacomunicar. Metacomunicar é entender a mensagem que é transmitida, adaptar-se aos diferentes contextos, saber estar e perceber a posição de quem está a comunicar conosco e ter a intuição de captar os sinais não verbais que nos são transmitidos. Assim se torna a comunicação eficaz. 

BITTI, P. R. ; ZANI, B. - A comunicação como processo social. Lisboa: Estampa, 1997 
LITTLEJOHN, Stephen W. - Fundamentos teóricos da comunicação humana. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988. 407 p. 
Lowen, Alexander – Vida para o corpo. São Paulo: Summus, 2007 


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